Produção e conservação de recursos na agricultura familiar dos gerais sanfranciscanos, semiárido de Minas Gerais

Eduardo Magalhães Ribeiro, Flávia Maria Galizoni, Camila da Silva Freitas, Rafael Eduardo Chiodi, Eduardo Charles Barbosa Ayres

Resumo


Os gerais da porção mineira do rio São Francisco são vastos chapadões arenosos de vegetação baixa e tortuosa, cortados por veredas e brejos onde a população rural se concentrou. Esta população agricultora criou um regime agrário de espacialidade fluida, de reduzida dependência das chuvas, que combinou o uso de mata seca, gerais e brejos para fazer agricultura e criação. A modernização agrária dos anos 1970 estimulou a tomada dos chapadões por agropecuárias e refl orestadoras; a expansão das áreas protegidas a partir dos anos 1990 criou novas restrições ao uso costumeiro dos recursos naturais feito pelos agricultores. Acossados nas veredas pelas empresas rurais e proibidos de explorá-las pelas agências ambientais, os agricultores foram forçados a construir novos sistemas produtivos e identidades; então, reformularam os regimes de domínio e exploração da terra para manter a lógica camponesa de reprodução. Baseado em pesquisas e atividades de extensão realizadas com populações rurais do Alto/ Médio São Francisco, Semiárido Norte de Minas Gerais, este artigo analisa essas trajetórias, revelando como o processo ao mesmo tempo questiona e constantemente reconstrói as bases do regime agrário tradicional. O artigo conclui que a privatização dos chapadões permanece comprometendo seriamente as bases de sustentação dos sistemas camponeses de exploração dos recursos e que as alternativas experimentadas até o presente – mudança em sistemas de criação, cultivos sustentáveis e agroextrativismo – foram insufi cientes para recompor as condições de reprodução da população rural.

Palavras-chave


agricultura familiar, Semiárido, rio São Francisco.

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