Caantiga - COP17 - Sustentabilidade - Banco do Nordeste
Caatinga: Diversidade, Sustentabilidade e Investimento no Bioma Exclusivamente Brasileiro
A Caatinga, Bioma exclusivamente brasileiro, ocupa cerca de 10% do território nacional, predominando na região Nordeste, com pequenas áreas no norte de Minas Gerais. Seu nome, de origem tupi-guarani, significa “mata branca”, em referência ao aspecto esbranquiçado da vegetação durante a seca, quando as árvores perdem suas folhas para reduzir a perda de água. O clima é semiárido, com temperaturas médias entre 25 °C e 30 °C e chuvas irregulares concentradas em poucos meses do ano.
Esse Bioma abriga cerca de 20 milhões de pessoas, cuja sobrevivência depende de práticas adaptadas à escassez hídrica, como agricultura familiar e pecuária de bovinos, caprinos e ovinos. Essa relação direta entre comunidades e recursos naturais torna o bioma sensível à pressão antrópica, marcada pelo desmatamento, uso inadequado do solo e processos de desertificação. Apesar de sua biodiversidade única e riqueza genética, apenas uma pequena parcela está protegida em unidades de conservação, o que aumenta os riscos frente às mudanças climáticas.
Diversidade de Atividades na Caatinga
A agricultura familiar constitui o sustento de milhares de famílias na Caatinga, responsáveis pelo cultivo de milho, feijão, mandioca e frutas nativas como o umbu, maracujá-da-caatinga e buriti. O manejo dessas culturas, adaptadas à escassez de água, destaca a criatividade dos produtores, que utilizam métodos agrícolas de baixo impacto ambiental. Além da agricultura, a pecuária de bovinos, caprinos e ovinos contribui para a renda regional, aproveitando a vegetação robusta do bioma e a rusticidade das espécies e raças criadas.
Investimento do Banco do Nordeste: Fomento à Sustentabilidade
O Banco do Nordeste figura entre os principais agentes de transformação social e ambiental na região. Por meio de linhas de crédito específicas a instituição incentiva práticas produtivas que conciliam geração de renda e preservação ambiental. Tecnologias inovadoras, como sistemas de irrigação eficientes, captação de água da chuva e estímulo à agroecologia, são promovidas com o objetivo de aumentar a resiliência dos agricultores frente às mudanças climáticas.
Considerando as aplicações financeiras dentro do semiárido, com recursos reembolsáveis, considerando atividades sustentáveis e de recuperação ambiental (programas FNE Verde Rural ABC, FNE Verde Irrigação, FNE Verde Rural, Pronaf Floresta, Pronaf Semiárido, Pronaf Agroecologia e Pronaf Eco) o Banco do Nordeste investiu 773,4 milhões no período de 2023 a 2025.
Já no âmbito da Agricultura Familiar, que inclui pequenos produtores rurais, assentados da reforma agrária, silvicultores(as), aquicultores(as), extrativistas, pescadores(as) artesanais, maricultores(as), povos indígenas, integrantes de comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais, formas associativas da agricultura familiar, bem como assentados(as) do Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA) e os beneficiários(as) do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), os investimentos direcionados totalizaram valores ainda mais vultuosos, superando a marca de R$ 22,09 bilhões aplicados no mesmo período. Com isso, o investimento total foi de aproximadamente 22,86 bilhões no semiárido.
Além disso, considerando recursos não reembolsáveis, o BNB participou ativamente no lançamento de dois editais de chamada pública, voltados ao apoio de projetos destinados à recuperação e uso sustentável da Caatinga. Foram destinados R$ 15 milhões a instituições públicas e privadas sem fins lucrativos via Edital 01/2025 do Fundo Sustentabilidade BNB e mais R$ 26,17 milhões em apoio à restauração ecológica e fortalecimento da restauração em unidades de conservação do bioma via Edital 25/2024 – Floresta Viva/Caatinga Viva, em parceria com BNDES e FUNBIO.
O somatório dessas iniciativas formalizou a destinação de R$ 41,17 milhões em recursos neste âmbito, investimentos que têm associado a recuperação ambiental com a gerado empregos, agregação de valor aos produtos da Caatinga e impulsionado o desenvolvimento sustentável da região.
Desafios e Perspectivas para o Futuro
Apesar dos mencionados investimentos, o bioma Caatinga ainda enfrenta desafios significativos, como desmatamentos, processos de desertificação, somados aos impactos das mudanças climáticas. Nesse cenário os investimentos sustentáveis contribuem desempenhando papel fundamental na preservação ambiental e na melhoria da qualidade de vida das populações locais.
O fortalecimento da agricultura familiar, aliado à inovação tecnológica, aos cuidados ambientais e ao respeito aos costumes e tradições locais, desponta como caminho promissor para a convivência harmoniosa com esse patrimônio único do Brasil.
Dessa forma, a Caatinga reafirma seu papel como guardiã de uma biodiversidade rara e espaço de oportunidades. As comunidades, amparadas por políticas e investimentos voltados para um futuro melhor, demonstram ser possível unir tradição e inovação em prol da sustentabilidade.